terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mensagem de uma mulher, como outras. A partir do meu ventre de reflexão.
"Sou de um tempo onde a Mãe 
abençoava a sexualidade em sua plenitude. Onde as mulheres ofertavam-se a Deusa e serviam de veículos para a realização espiritual dos homens. Como cálices repletos do divino, onde eles procuravam se conectar ao princípio criador. Sou do tempo onde as mulheres eram desejadas e respeitadas em seus corpos naturais e onde a velhice era entendida como sabedoria.

Então escute, enquanto for tempo de aprender com o que ainda temos de precioso no mundo.

Falo através de mim, mas de uma dor antiga e de outras. Do lugar onde milhares de mulheres foram queimadas, torturadas, escravizadas, violentadas.  Falo a partir da memória dos ventres que perpetuaram a vida no planeta e que estão sendo extirpados em massa, por doenças da alma e do corpo; dos seios que alimentaram os homens, e que estão sendo amputados ou negados, desrespeitados e transformados para dar conta do desejo insaciável dos homens que não valorizam a natureza do amor que eles são capazes de ofertar; do sangue conectado a terra e a lua, que renasce o ventre para dar força à criação, que esta sendo derramado nos incontáveis abortos, assassinatos e estupros pelo mundo, neste exato momento.

Falo ao homem que está disposto a ouvir e que tem maturidade para a mudança. Falo ao homem que busca realizar uma verdadeira masculinidade, longe da herança da exploração criminosa e das agressões a natureza e a vida. E pelas mulheres que desejam ser amadas pelo que realmente são: - O Sexo, a fonte primordial, conectiva e criativa é um bem maior, não uma fuga ou escape, onde se “dejetam” os lixos da humanidade.

Então escute, enquanto for tempo de aprender com o que ainda temos de precioso no mundo.

Cada momento é uma escolha. Uma possibilidade de  abertura de consciência, de respeito, amor e partilha.

Ou se bebe do cálice sagrado, água ou vinho, e se compartilha o pão com amor. Ou se derrama o sangue dos inocentes e se lança a taça divina, para sempre, nas profundezas do oceano.
Fonte: Extase da Deusa

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

OS MISTÉRIOS DO SANGUE


No livro Sacre Pleasure – Sex, Myth and Polítics of the Body (HarperCollins, 1995), Riane Eisler nos relata que os pigmeus BaMbuti, da floresta do Congo, referem-se à menstruação como "ser abençoada pela Lua". Não há, naquela cultura, nada de aparentemente negativo associado ao período da menstruação. 


O primeiro sangue menstrual é comemorado com uma festa chamada "elima", que envolve toda a aldeia. Após sua primeira menstruação, ser novamente abençoada pela lua no futuro é simplesmente visto como parte natural da vida da mulher, e não há nenhuma celebração posterior associada a isso. Não existem tabus ligados ao período menstrual e isso, talvez, represente bem a antiga mentalidade não-judaico-cristã.

O fluxo de sangue e seu cessar estão ambos intimamente ligados aos Mistérios Femininos. Menstruação, gravidez, parto e menopausa são aspectos do ciclo vital de todas as mulheres. O sangue, ou sua ausência, assinala naturalmente os estágios de transformação de uma mulher, desde a ruptura do hímen ao sangue do parto, ao fim dos sangramentos na menopausa. Em tempos remotos, o modo como uma mulher usava sua guirlanda era um sinal externo de qual estágio de sua vida ela já havia alcançado.

Em Blood Relations – Menstruation and the Origins of Culture, Knight nos conta que os primitivos humanos que habitavam as florestas, dormiam na copa das árvores sob o céu noturno. Os ciclos de luz da lua apropriadamente influenciavam os ciclos menstruais. A pesquisa de Knight indica que, na maioria das mulheres, o ciclo menstrual começa durante a lua nova e ela ovula por volta da lua cheia. Luisa Francia, em seu libro Dragon Time – Magic and Mystery of Menstruation (Ash Tree, 1991), também afirma que as mulheres que vivem e dormem ao ar livre (longe das luzes artificiais) estão sintonizadas a esse ciclo.


Knight apresenta algumas interessantes descobertas da biologia feminina. Um estudo sobre a duração de 270.000 ciclos de mulheres, representando todas as idades da vida reprodutiva, revelou o seguinte: a mais alta percentagem simples das mulheres do estudo, menstruaram durante a lua nova. A segunda percentagem mais alta, menstruou durante a lua crescente e apenas 11,5% menstruou durante a lua cheia. Essa pesquisa também indica que a maioria das mulheres mostraram um ciclo menstrual de 29,5 dias. Esse ciclo apresentou-se também como o mais fértil. O estudo ainda trouxe à descoberta de que mulheres heterossexuais que praticavam sexo com regularidade semanal, possuíam ciclo mais intimamente ligado ao ciclo da lua do que mulheres cuja vida sexual era de natureza esporádica ou celibatária. O estudo também indicou que os feromônios masculinos podem estar envolvidos no alinhamento do ciclo menstrual ao chamado ciclo "normal" que se inicia com a lua nova.


Nos Mistérios Femininos, vemos que o sangue menstrual era mais do que o indicador do ciclo de fertilidade de uma mulher. A vagina era vista como um portal mágico através do qual a vida surgia de uma misteriosa fonte interna. Na religião matrifocal, era um portal tanto para a regeneração física como para a transformação espiritual. As mulheres estão mais sintonizadas à sua natureza psíquica durante a menstruação. Uma vez que o fluxo de sangue menstrual tende a absorver energia, as mulheres estão mais aptas a curar os outros durante esse período. Assim, mulheres em menstruação podem absorver a energia dos outros e aterrá-la através de seu próprio sangramnto físico. Uma vez que o sangue é lançado à terra, a energia é neutralizada e a cura pode ter início na pessoa adoentada.


O sangue menstrual era, também, utilizado para fertilizar as sementes para o plantio, passando a essência da vida a elas. Campos eram, por vezes, borrifados com uma mistura de água e sangue menstrual para estimular o crescimento. As sementes e plantas absorviam um pouco da energia antes que o solo neutralizasse a carga. Xamãs femininos também transferiam cargas mágicas aos campos cultivados através do sangue menstrual, criados para influenciar a mente grupal da comunidade que se alimentaria da colheita. Durante a Idade Média, as bruxas eram constantemente acusadas de enfeitiçar as plantações...


Outra função do sangue menstrual, era a de ungir os mortos. Acreditava-se que isso asseguraria seu renascimento, graças às propriedades vitalizantes do sangue que jorrava do próprio portal da vida. Durante o Neolítico e o início da Idade do Bronze, na Antiga Europa, a região do Egeu testemunhou a criação de tumbas redondas com pequenas aberturas voltadas para o leste, na direção do sol nascente. Essas tumbas representavam o ventre da Deusa, e a abertura era a sua vagina. Vasos sagrados eram utilizados para coletar o sangue menstrual para ungir os mortos. Eram vasos da fertilidade, luz e transformação. Os mortos eram ungidos com sangue menstrual e posicionados no interior das tumbas. A luz do sol nascente simbolizava a renovação e a regeneração, enquanto penetrava na abertura da tumba (o falo solar penetrando a vagina telúrica). Posteriormente, essas tumbas terrenas evoluíram na forma de montes, remanescentes do Culto ao Mortos.

Em Sacred Pleasure, Riane Eisler relata como os ritos e cerimônias funerários pré-históricos incluíam atos sexuais. Tais atos visavam conectar a tumba à energia da procriação. Símbolos espirais eram constantemente gravados em tumbas neolíticas como sinais da regeneração. Também simbolizavam a transformação xamânica da consciência que empregava cogumelos alucinógenos.


Os cogumelos têm fama de afrodisíacos e sua semelhança com a genitália masculina ficava certamente evidente aos primitivos europeus. A rapidez com que os cogumelos crescem e desaparecem também contribuiu para sua associação com o falo. Assim, podemos facilmente associar as danças extáticas com os ritos funerários da magia do sangue.


Nos Ensinamentos Misteriosos, a magia do sangue está ligada às fases da lua. A lua cheia inicia a ovulação e simboliza os poderes de transformação da energia lunar (e, por conseqüência, da energia feminina). Por seu aspecto fértil no ciclo de uma mulher, a lua cheia é o período da mãe. Durante essa fase, é melhor formular e visualizar o que quer que seja desejável na vida de um indivíduo. As imagens mágicas lançam raízes durante essa fase, e o sangue é carregado com quaisquer formas de pensamentos que direcionamos a ele. A lua minguante põe em movimento o que foi concebido durante a lua cheia, para que se manifeste. É um período para estabelecer as conexões com o mundo físico, que irão auxiliar o fluxo de energia relacionada rumo aos desejos do indivíduo. A lua nova libera o sangue carregado do caldeirão mágico do ventre. A energia mágica é, então, usada e é tempo para reflexão e introspecção. A lua crescente é um período de potencialização, de leitura e estudos, preparando o solo fértil do ventre para a semente mágica que será plantada na lua cheia.

OS MISTÉRIOS DAS TRÍADES

A transformação de tribos de coletores-caçadores em comunidades agrícolas, foi um processo instituído pelas mulheres. Elas cuidavam do fogo e preparavam as refeições; eram o centro da própria vida. Eram, também, fundamentais à construção e manutenção de abrigos; eram tecelãs, atando e unindo, criando tramas para os telhados e outras partes essenciais da casa. Também criavam vasos para armazenar alimentos e transportar água.

Durante períodos nos quais os alimentos eram menos abundantes, as mulheres controlavam a utilização das provisões ao ocultar o alimento em silos de armazenamento subterrâneo. Os homens, geralmente envolvidos em caçadas, defesa contra inimigos da tribo ou executando trabalhos braçais, não tinham ciência das atividades das mulheres. Foi dessa prática de ocultar os alimentos que as mulheres aprenderam sobre os ciclos da vida vegetal. Tubérculos e diversos grãos enterrados no solo começaram a brotar ou se enraizar, possibilitando às mulheres a primeira observação do cultivo. Habilidade em transformar barro em cerâmica e sementes em plantas foi a base para os Mistérios da Transformação. Deles evoluiu o conhecimento do preparo de poções herbais ou bebidas intoxicantes.

Tais descobertas e associações estimularam a mente das mulheres e elas desenvolveram uma consciência diferente da dos homens. As mulheres passaram a pensar em níveis mais expansivos, rompendo com as barreiras do pensamento primitivo. Os homens estavam mais concentrados nas ligações imediatas; o rastro recente de um animal significando que estava por perto, a distância a que uma lança podia ser atirada, e assim por diante. Isso estimulou diferentes modos de consciência para os homens, e eles evoluíram por um caminho mental diferente do das mulheres. Cada uma dessas mentalidades era necessária para o bem-estar do clã; sem esse equilíbrio, muito provavelmente não estaríamos aqui hoje.

O fato de que as mulheres eram, geralmente, responsáveis pelas crianças do clã, significava que elas permaneciam próximas à aldeia. A aldeia era relativamente mais segura do que a vastidão onde o perigo dos animais selvagens e dos intrusos nômades constituía uma ameaça real. Fora desse cenário, as mulheres naturalmente iniciaram a formação de sistemas sociais. Nos Mistérios da Formação, a estrutura social era matrilinear. Somente após o homem tomar ciência de seu papel na procriação, foi que esse sistema começou a se alterar. Entretanto, em algumas partes do mundo atual – como na áfrica e na América do Sul, as sociedades matrilenares ainda existem.

As mulheres estabeleceram certos fatores sociais para controlar os naturalmente fortes desejos sexuais dos homens. No livro Blood Relations – Menstruation and the Origins of Culture (Yale Univ. Press, 1991), de Chris Knight, encontramos muitos exemplos interessantes de tais estruturas sociais.
Knight teoriza que as mulheres entravam em greves sexuais para forçar os homens a sair em caçada. Retornar com carne fresca, significava o fim da greve - uma troca de sexo por alimento. Para que os homens não se preocupassem com a possibilidade de os jovens desfrutarem de privilégios sexuais durante sua ausência, as mulheres criaram tabus quanto ao coito entre irmãos e irmãs, mães e filhos. As mulheres também desenvolveram um relacionamento entre irmãos e irmãs, para que os interesses sexuais de outros machos que permanecessem na aldeia fosse inibido pelos irmãos das mulheres. Do mesmo modo como controlavam o fogo que cozinhava seus alimentos e transformava o barro, as mulheres também controlavam o fogo da natureza sexual do homem.


Assim, encontramos no antigo papel das mulheres, os mistérios da preservação, formação e transformação. Desse essencial papel, surgiram as tradições internas associadas a suas necessidades privadas e pessoais. O sistema de tabu foi originalmente criado pelas mulheres para se abster das exigências/necessidades da comunidade e, então, concentrar-se nos mistérios que as afligiam: menstruação, gravidez e parto.

OS MISTÉRIOS OBSCUROS

Os Mistérios Obscuros tratam da natureza oculta das coisas e da essência secreta, tanto das coisa físicas como das espirituais. O mito dos Mistérios Obscuros se reflete em mitos como os de Deméter e Perséfone.

Nesse antigo mito, encontramos o tema da Deusa que se encontra com o Senhor do Submundo, a princípio resistindo e, em seguida, submetendo-se a seu amor. Nele, Perséfone representa a semente que desce às trevas subterrâneas onde sua energia fértil é despertada. O Submundo representa a misteriosa força que impele o broto para cima, rumo à renovação. Deméter representa a energia que alimenta o crescimento da nova planta. Esse mito greco-romano, é típico dos mitos de descidas surgidos pela primeira vez na Mesopotâmia, e que migraram através do Egeu/Mediterrâneo, sendo, por fim, abraçados pelos celtas.

Os Mistérios Obscuros estão relacionados a diversas criaturas comumente associadas às bruxas e magia de modo geral. O corvo era associado à morte e ao submundo por sua ligação com o Culto dos Mortos. Acreditava-se que a alma das bruxas escocesas partiam na forma de um corvo durante o transe.

O porco era um animal sacrificado a Deméter e, também, surge em mitos ligados à bruxa grega Circe. Em tempos remotos, acreditava-se que o sangue de porco era o mais puro entre todos os animais e tinha o poder de purificar a alma, eliminando o ódio e o mal. Era associado ao Culto aos Mortos e muitos locais de sepultamento incluíam porcos ofertados às deidades do submundo.


Outra criatura associada aos Mistérios Obscuros é a rã. As secreções de certas rãs contêm bufotenima, poderoso psicotrópico alucinógeno. Suas secreções eram utilizadas no preparo de certas poções empregadas na indução a estados de transe. Certos cogumelos, como claviceps purpúrea e amanita muscaria, também eram empregados com as secreções da rã. É interessante notar que o claviceps purpúrea se forma nos grãos de centeio e sobrevive na farinha, onde é chamado de cravagem. Aqui encontramos um elo com a utilização de pão e vinho no Sabba.
Por mais desagradável que possa parecer às sensibilidades modernas, os antigos descobriram que as propriedades alucinógenas dos cogumelos ficavam altamente concentradas na urina de quem quer que os consumisse. Por estranho que pareça, esse foi o início dos Ensinamentos Misteriosos de destilação e da fermentação. Através da experimentação xamânica, outros fluídos corporais foram explorados na busca de propriedades ocultas, incluindo o sêmen, as secreções vaginais e o sangue menstrual. O emprego de fluidos corporais com finalidades mágicas é um dos aspectos da Bruxaria que forma distorcidos pelos princípios judaico-cristãos, transformando em obscenidades pervertidas.
A ligação dos fluidos a propriedades mágicas também se estendeu ao sumo de plantas, frutas e legumes. Acreditava-se que a Lua exercia influência sobre o crescimento das plantas e, também, sobre sua natureza espiritual ou mágica. Os efeitos de venenos, remédios e intoxicantes eram, a princípio, atribuídos aos poderes mágicos do espírito que habitava o interior da planta. O processo de transformação de fruta em suco, pela fermentação, foi praticado por xamãs femininas sob os auspícios da Lua. Disso surgiram as imagens de bruxas mexendo poções mágicas sem seus caldeirões.


Nos Mistérios Obscuros, a Deusa pode surgir como Aquela que Traz a Vida e a Morte, a Criadora e a Destruidora. Ela cria tempestades, chuva e orvalho, os quais podem ser tanto benéficos quanto destrutivos, especialmente para comunidades agrícolas. Do mesmo modo que a Deusa envia a água, ela também envia o fluxo do sangue menstrual.

A Lua rege as marés da Terra, bem como a das mulheres. Líquidos sempre foram símbolo da presença mística da Deusa. Seus santuários eram geralmente estabelecidos em grutas onde a água jorrava dentre as pedras. Cerimônias envolvendo a coleta e o derramamento de água são comuns em seus ritos, onde jarros com bicos fálicos eram utilizados em seu serviço.

Esther Harding (em The Women’s Mysteries, Harper Colophon Books, 1976) relata as antigas cerimônias de chamar chuva dos cultos matrifocais (que os homens eram proibidos de observar). As mulheres se reuniam nuas num curso de água e derramavam água nos corpos umas das outras. Geralmente isso envolvia a concentração numa sacerdotisa que representava a Deusa da Lua.

A ligação essencial dos Mistérios da Deusa com as mulheres, ocorre sempre através dos fluídos, seja simbólica ou fisicamente. A mente subconsciente está associada ao elemento água, assim como as emoções em geral, e estas, por sua vez, estão associadas à natureza feminina.

Onde os Mistérios Femininos não refletem a psique de algum modo, eles podem ser encontrados em associações com os fluídos corporais das mulheres. Um dos aspectos da Antiga Religião era o de objetos serem abençoados através do contato ou da inserção na vagina de uma mulher nua deitada sobre o altar.

Mistério feminino.

A Wicca é, entre outras coisas, essencialmente um culto lunar no qual residem os Mistérios Femininos da Antiga Europa. Os Mistérios Femininos podem ser divididos em três categorias principais: os Mistérios das Tríades, os Mistérios do Sangue e os Mistérios Obscuros. Cada um deles contém em si outros aspectos relativos dos mitos associados nos quais residem.

Os Mistérios das Tríades Femininas são compostos dos seguintes aspectos: Preservação, Formação e Transformação. Estes se relacionam aos mistérios mundanos, segundo os quais as mulheres tradicionalmente exercem domínio sobre o lar, a mesa e a cama.

Em tempos longínquos, os símbolos do poder de uma mulher estavam ligados a essas facetas da vida humana. A vassoura, o caldeirão, a lareira e o travesseiro eram símbolos de seu reinado doméstico. Em tempos antigos, as mulheres eram honradas por seu dom de alimentar a família - o lar era um local de estabilidade e tranqüilidade. As mulheres controlavam, direta ou indiretamente, todas as facetas da vida familiar e exerciam papel vital na comunidade.

Os Mistérios do Sangue (Consagração do Ventre) associam-se aos ensinamentos e ritos ligados à menstruação, ao renascimento dentro do mesmo clã e à magia sexual. Todos são conceitos extremamente antigos, que se originaram ao menos na Era Neolítica. Os Mistérios do Sangue são em sua maior parte exclusivos às mulheres e serviam para elevá-las na antiga estrutura dos clãs. O poder inerente a esses mistérios levava os homens a uma posição de anuência dentro dos primitivos cultos matrifocais. Dessa Tradição Misteriosa surgiu o clero matriarcal da Wicca.

Os Mistérios Obscuros envolvem elementos de natureza oculta. Sob essa categoria temos coisas como magia lunar, culto de Diana, de Hécate e de Perséfone, morte e renascimento, magia dos sonhos e, geralmente, elementos do "Outro Mundo". Esse é um dos mais perigosos, e talvez mais poderosos, aspectos dos mistérios. Sem dúvida, o poder pessoal resultante do domínio dessa tradição é a base do medo em relação às bruxas durante o período da Inquisição.

A Tradição dos Mistérios Femininos surgiu do fato de que as mulheres primitivas viam a si mesmas como um mistério. Havia uma necessidade de compreender coisas como o sangue menstrual, a gravidez e o parto. Esses elementos separavam claramente as mulheres dos homens, cujos corpos não apresentavam tais poderes. Para os humanos primitivos, certamente havia uma forma mágica em ação, e aparentemente ela só atuava sobre as mulheres do clã. Tal mentalidade resultou na elevação do status das mulheres e estabeleceu um sentimento de reverência entre os homens.

Originalmente, o clã funcionava como um grupo de indivíduos, uma consciência coletiva. Durante esse período, os Mistérios Femininos consistiam principalmente de ritos da fertilidade que envolviam o clã como um todo. A alteração da consciência pela qual o indivíduo (bem como as relações entre indivíduos) era importante, evoluiu gradualmente, dando origem a vários cultos interiores. Esses cultos eram extensões dos mistérios regidos pelas mulheres. Dessa nova estrutura, surgiram regras acerca das relações sexuais e da menstruação. As mulheres foram as primeiras a perceber a ligação entre o ato sexual e a concepção. As iniciadas aprendiam como evitar a concepção juntamente com os segredos da magia do amor.

Com o passar do tempo, os indivíduos passaram a se destacar por suas habilidades especiais ou qualidades exclusivas. A mudança fica bem evidente no culto do caçador-guerreiro dos Mistérios Masculinos, em que o mais valente e o mais forte possuía papel especial. Entre as mulheres, isso se desenvolveu mais na forma de práticas xamânicas. Certos indivíduos apresentavam uma singular afinidade com o mundo natural das plantas e dos animais, e possuíam alto grau de habilidades mágicas e psíquicas. Esses indivíduos, então, se transformaram em facilitadores dos ritos tribais, alguns secretos, outros públicos.
 
 

Originalmente, o clã funcionava como um grupo de indivíduos, uma consciência coletiva. Durante esse período, os Mistérios Femininos consistiam principalmente de ritos da fertilidade que envolviam o clã como um todo. A alteração da consciência pela qual o indivíduo (bem como as relações entre indivíduos) era importante, evoluiu gradualmente, dando origem a vários cultos interiores. Esses cultos eram extensões dos mistérios regidos pelas mulheres. Dessa nova estrutura, surgiram regras acerca das relações sexuais e da menstruação. As mulheres foram as primeiras a perceber a ligação entre o ato sexual e a concepção. As iniciadas aprendiam como evitar a concepção juntamente com os segredos da magia do amor.

Com o passar do tempo, os indivíduos passaram a se destacar por suas habilidades especiais ou qualidades exclusivas. A mudança fica bem evidente no culto do caçador-guerreiro dos Mistérios Masculinos, em que o mais valente e o mais forte possuía papel especial. Entre as mulheres, isso se desenvolveu mais na forma de práticas xamânicas. Certos indivíduos apresentavam uma singular afinidade com o mundo natural das plantas e dos animais, e possuíam alto grau de habilidades mágicas e psíquicas. Esses indivíduos, então, se transformaram em facilitadores dos ritos tribais, alguns secretos, outros públicos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

 Mãe escura

A Parteira:  Esta Lua Cheia  é dedicada à Parteira. A Parteira é a
professora e a facilitadora. Ela não gera a nova vida, nem é a nova vida,
mas ajuda a nova vida nascer. Segundo os paleontólogos, a Parteira é a
profissão mais antiga da humanidade, pois o parto da mulher humana, por ser
o parto mais complicado dos mamíferos, fez com que sobrevivessem as mulheres
que, na hora do trabalho de parto, procuravam outras mulheres para as
ajudarem, assim sedimentando o sentimento de  irmandade e cooperação,
principalmente em momentos difíceis. A Parteira já experimentou ela mesma o
milagre do nascimento, seja na concepção de uma criança, seja na concepção
de uma obra ou dela mesma, e agora auxilia outras mulheres a fazerem o
mesmo. Ela incentiva outros a descobrirem seus próprios talentos e então
alçar vôo em direção aos seus próprios objetivos. A principal característica
da Parteira é a habilidade de confiar – de dar um salto de fé – em relação a
quem está ajudando. Ela não controla o processo, mas cria as condições para
que o processo ocorra da forma mais segura possível. Nesse sentido, ela é ao
mesmo tempo abnegada e extremamente importante.  Com sua intuição e sua
consciência corporal, a Parteira manifesta aquilo que ainda está por se
manifestar.  Esse enorme poder é a razão de as parteiras terem sido tão
perseguida pelo patriarcado, particularmente na Idade Média. A Parteira é
fundamentalmente uma curadora: da vida, da mulher, do corpo, da sociedade,
das relações, daqueles que atravessam o véu da iniciação. Suas lições são o
amor, a transição, a justiça e a responsabilidade.  Seu período é a tarde, e
ela está nos corações de todas as mulheres que protegem uma aluna, que
percebem pela primeira vez sua mortalidade, que chamam os poderes divinos
para efetuar a cura. O contato da Parteira com a própria criaç ão a põe face
a face com a Mãe Escura. É esse contato com a Senhora da Morte que a faz tão
compassiva e compreensiva na utilização de seu poder.

*Sugestão de Deusas:   Artemis, Eileithiya, Harthor , Pi-Hsia Yuan Chin,
Hécate, Deverra. *

* *
*Sugestão Ritos de Passagem: Ritual de Bênção Pré-Natal ( pag 156)
Preparativos para o Parto (pag 158),  Dar a Luz (pag. 162), Procedimentos
Ritualísticos Pós-Parto (163-180), do livro O Legado da Deusa, de Mirella
Faur.  *

* *
*Sugestões de Perguntas para Meditar com a Parteira:*
* *
*Como a Parteira se manifesta na Natureza a sua volta nesse momento?*
*Como você manifesta a Parteira na sua vida?*
*O que você pode fazer para derrubar os preconceitos ( e os medos)
patriarcais sobre a Parteira no mundo?  *

*No que um melhor contato com a Parteira pode beneficiar as mulheres e o
Sagrado Feminino? *

*Você é/já foi a face da  Parteira? Quem foram as grandes Parteira da sua
vida? *

*Quais foram as maiores sabedorias que a Parteira compartilhou com você? *
*Você consegue conciliar a sabedora e experiência da Parteira com a
necessidade de deixar a pessoa que você auxilia ser ela mesma? *
Estabelecendo Contato com as Deusas

Crie um espaço sagrado para Deusa onde será possível invocá-la, cultuá-la e oferecer-lhe oferendas. Criar um altar para a Deusa  é uma das inúmeras formas de estabelecermos contato com sua energia e também uma maneira de trazermos equilíbrio, a paz e a harmonia para o nosso lar.
Escolha uma mesa, uma parte na estante, um canto dentro ou fora do seu lar. Comece colocando objetos que representam os quatros elementos da natureza: Terra, Ar, Fogo, Água. A Terra representa o seu corpo, o Ar,o seu sopro, o Fogo,o seu Espírito e a Água,o útero da Grande Mãe.
Descubra onde estão os quatro Cantos Cardiais no local onde você decidiu construir seu altar.
*Ao Norte coloque objetos que representam o elemento Terra:Pedras, plantas, flores, um carvão, um pires com sal, um cristal, um vaso com terra... ou qualquer outro objeto que te faça lembrar a terra. Vc poderá sempre deixar uma vela marrom ou verde acessa nesse canto. Já que são as cores sagradas desse elemento. Você irá se conectar com as Deusas associadas a prosperidade, riqueza, concretização,poder e força.
Ao Leste, coloque objetos que representam o elemento Ar: Incenso,um sino, uma Pena, fitas penduradas, uma flauta... ou qualquer outro objeto que te faça lembrar o Ar. Você poderá deixar uma vela amarela ou branca acessa nesse local, Já que é as cores do Ar. Você irá se conectar com as Deusas associadas a inspiração,sabedoria, luz, inteligência, criatividade.
Ao Sul, coloque objetos que representem o elemento fogo. Você pode colocar uma lamparina, uma brasa, ou qualquer objeto que lembre o elemento fogo. Você ode também deixar sempre acesa neste local uma vela da cor vermelha ou laranja, são as cores sagradas desse elemento. Você irá se conectar com as Deusas associadas a força de vontade, poder sexual, paixões, coragem.
Ao Oeste, coloque objetos que representem o elemento Água. Você pode colocar um cálice com água, uma concha, uma estrela- do- mar ou qualquer outro objeto que te faça lembrar a água. Você sempre poderá deixar acesa uma vela da cor azul ou prateada, essas são as cores sagradas da água.Você irá se conectar com as Deusas associadas a sentimentos, amor, intuição, família, emoções.
Você poderá também colocar em seu altar uma figura, estátua representando a Deusa.
Procure deixar seu altar harmônico, para que todas as vezes que você olhar para ele sinta construído em homenagem à Deusa, você se sinta confortável e feliz.
Deixe sempre oferendas em homenagem à Deusa nesse local como: frutas, flores, trigos, água,leite com mel, incensos, vinho, pão... Dia depois elas podem ser recolhidas e enterradas ao pé de uma árvore ou queimadas. Procure todos os dias ir até seu santuário e buscar por conexão com a Deusa. Quanto mais você mantiver seu altar ativo,mas a Deusa se aproximará para tocá-lo. “ELA MUDA TUDO QUE TOCA, TUDO QUE ELA TOCA MUDA”. E você perceberá o toque da Deusa, seu chamado mais fundo em seu coração.

(Todas as Deusas do Mundo)